sábado, 20 de outubro de 2007

Rascunho


Por hoje resolvi não mais caminhar sobre o meu passado... Não que eu tenha desistido de contar o que prometi no post passado, até porque nem poderia, já que existem pessoas me cobrando o texto...

Estava andando na rua e me deparei com uma dessas pessoas que moram nela. Mas não era uma pessoa comum, era uma pessoa que divagava em alguma esquina do Centro do Rio sobre o futuro. Parecia um filme americano onde tem um mendigo na esquina dizendo que o fim do mundo está próximo e que o armagedon está batendo à porta. Esse cara que me dignei a parar para ver e ouvir dizia coisas mais de acordo com nossa realidade. Falava sobre o futuro das águas, da terra e do ar; e não era nada bonito.

Fiquei pensando sobre as coisas que ele dizia e ao mesmo tempo, olhando ao redor, vendo as pessoas que não o viam ou ouviam, pessoas que estavam tão imersas em suas próprias vidas e trabalhos que não percebiam o resto do mundo à volta. Pensando em tudo e analisando algumas coisas, fui surpreendida pelo homem, que apontou com o dedo - diga-se de passagem extremamente sujo - para mim e perguntou se a página atual da minha vida era um rascunho que eu ainda estava escrevendo ou se já estava tratando de passá-la a limpo. Claro que não com todas essas letras, mas foi isso o que ele disse.

Fiquei desnorteada. Como ele poderia estar perguntando aquilo para mim? Porque eu? Porque não puxar uma daquelas pessoas apressadas pelo braço e gritar a tal pergunta aos brados na cara dela? Ainda fiquei alguns segundos olhando para aquele homem, que por um momento e de forma estranha, se meteu um pouco na minha vida. Saí dali correndo. Pensando e pensando... não mais na atitude dele, mas na pergunta que me fizera.
Comecei a varrer meus anos, na verdade, os anos de que me lembrava. Acho que meu rascunho começou a ser feito no momento em que nasci. Soube que era um rascunho quando eu imaginava o futuro, ou seja, nada estava certo, nenhum caminho estava trilhado. Era a hora das escolhas. Fiquei mais certa do rascunho quando comecei a dar meus próprios passos, andando sozinha... e hoje, neste momento, estou me fazendo a pergunta: já estou tratando de passar minha vida a limpo?

E a resposta é: não sei. Não é algo que se pode dizer: "Bom, a partir do momento "x" minha vida vai ser definitiva". Acredito que a todo momento estamos escrevendo rascunhos e ao mesmo tempo passando a limpo determinados passos da vida. Não necessariamente as mesmas situações, mas, aquela coisa que pensamos ontem, provavelmente estará resolvida amanhã ou depois. Mas se deve saber: quando estamos na fase do pensamento, é rascunho, afinal, ainda não colocamos nada em prática, temos apenas idéias vagas do fato e tudo o mais. Mas a partir do momento que uma determinada idéia é colocada em prática, ela foi passada a limpo.
E passar algo a limpo não significa que foi a melhor escolha. Pode ter sido uma decisão de merda ter realizado aquele plano, mas também... como teria sido se não tivéssemos feito? Podemos tirar dez ou zero, mas já foi passado a limpo e entregue ao Mundo - o cara que dá a nota.
A pergunta do mendigo me tirou o sono, mas é demasiadamente interessante ficar pensando nela. A boa é chegar no fim, numa resposta. E a resposta pode variar de um para outro, afinal, você responde de acordo com o que você deseja para si, você acorda ou discorda de algo simplesmente por seu prazer próprio e para o meu, já escolhi uma resposta. Claro que não fiquei muito satisfeita com o resultado, afinal, sou uma pessoa exata e tal, mas visto que por mais que eu goste desse tipo de resposta, ela não me satisfaria nesse momento. Vi que a resposta para essa pergunta é dúbia.

Posso dizer com total certeza - pq eu simplesmente quero - que a vida transcorre com o rascunho e o texto final em paralelo e esses nunca tratam do mesmo assunto. Você tem uma idéia hoje (rascunho) que é resolvida amanhã (limpo), mas logo tem outras milhões de idéias e planos para a vida e resolve outras idéias e outros planos. Ou seja, a vida é um misto de folhas de rascunho, em branco ou textos finais. A hora em que você decide qual parte do misto escolher cabe exclusivamente a você, assim como cabe escolher o que queremos que fique definitivamente no rascunho e o que saia a fim de marcar a sua e outras vidas.
Queria encontrar com o cara novamente. Queria saber dele, o que ele era. Rascunho? Bem resolvido? Ou estava simplesmente em branco?


*Basicamente, a foto no início do texto nada tem a ver com ele... foi só uma foto do momento de felicidade de dois Boatafoguenses no Maraca, depois de uma vitória... Amo essas duas pessoas... Hugo e Dani. Beijos para os dois!!!*

Beijos - generalizados

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Recadinho...

Não, não não... ainda não vim com meu texto definitivo... só vim para dizer que mudei todas as palavras "melancolia" nos posts anteriores para "nostalgia". Dããããã... é óbvio que a palavra combina mais e etc...
Hahahahaha... gastei um post para dizer isso, mas é algo importante... Deixar os amigos informados...
Beijos

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Nostalgia - pt. 2

Nessa minha caixa de lembranças, além das cartas, bilhetes e rascunhos que citei, existem outros objetos de efeito. Quase todos meus emblemas - pq no colégio em que estudei, cada série usava um emblema no bolso da camisa, localizado no peito esquerdo - assim como minhas carteirinhas referentes a cada série e até o crachá eletrônico - que nunca funcionou. Tem ainda um cartão de aniversário que recebi de toda a turma no meu aniversário, no ano de 2001 - meu 1º ano do ensino médio - , tem fotos de pessoas que nem sei mais onde andam, tem o convite da minha colação de grau, os recibos da festa de formatura e uma pulseira amarela do churrasco de formatura. Cada objeto tem uma energia diferente, e não importando se é boa ou ruim, fico feliz por já ter passado pelos tais momentos e igualmente feliz - ou mais - por conseguir revivê-los com tamanha fidelidade.
Me bate uma vontade de narrar todas as histórias, de cada coisa, nos seus mínimos detalhes, e eu talvez até faça isso. Não hoje, não amanhã, mas um dia. Acho que receio esquecer algo, deixar passar algum suspiro ao longo do tempo... mas por hoje, resolvi escolher uma carta
recebida. Não sei bem ao certo a data em que a recebi, mas tenho certeza de que foi em 2003, o ano em que recebi muitas coisas. Não me venha cobrar a data, pois vale lembrar que a maioria das pessoas não coloca, a não ser que seja uma redação e que seja formalmente pedido. Nisso, terão de confiar na minha memória.
Era uma carta bem engraçada, onde a pessoa dizia não saber se era digna da minha e de mais algumas amizades. Dizia que de um modo estranho, me amava e que gostaria de que esse amor fosse igualmente sentido por mim, que que podíamos ter uma amizade bem f
orte, mas com a esperança de que ficássemos juntos o máximo de tempo. Achei muito fofa a carta, que mesmo cheia de palavras disse muito e pouca coisa. No fim, vi que foi uma "carta-teste", que queria ver como eu reagiria à esta e tal, porque não muito tempo depois, recebi outra. E esta segunda dizia muitas coisas.
Já me pediram para transcrever as cartas e tal... mas não acho uma boa idéia. É invadir a privacidade alheia: a minha e a da pessoa que me mandou. Lembro de que no envelope da segunda carta, estava escrito em letras garrafais para que eu lesse o conteúdo sozinha. E li. Lembro-me de ter guardado a carta até o dia seguinte, para ler de manhã, no ônibus, na ida para o colégio.

Além de eu não transcrever as cartas - ou parte delas - também jamais direi quem as escreveu... segredo de estado... hahahahahaha.

E meu estado de nostalgia não acaba aqui... foram muitos anos convivendo com pessoas que adoro, desde faxineiros a diretores, e também com pessoas que passei a odiar. São muitas coisas para contar. Algumas, atravessam as paredes do colégio centenário e simplesmente atravessam a rua. E essa vai ser minha próxima história... minha 3ª dose de nostalgia... e não me pergunte quantas doses serão, o que sei é que meu pote ainda não está cheio...


*Pat, adorei vc ter comentado no meu blog... e obrigado pelo elogio à minha escrita, mas eu acho que vc escreve fodamente bem... E quanto à caixa de lembranças, jamais guardarei a minha no alto do armário... pode ser mesmo algo torturante, mas eu gosto de lembrar... e nisso já entra o comentário do Anônimo - obrigada por ter comentado - que diz que é pra ficar no passado e tal, pq pode ser doloroso ficar imaginando como seria a vida se vc tivesse seguido aquele ou o outro caminho... Mas é isso que gosto de fazer!!! De analisar, de sentir saudade ou não... sei lá, sou mesmo um pouco masoquista... Mas mesmo assim, ficarei relembrando... acho gostoso, tenho sensações diferentes, mas não novas... Beijos para vc, amiga, e para vc anônimo...


Beijos generalizados...

sábado, 6 de outubro de 2007

Nostalgia - pt. 1

Pessoas... passei o fim de semana passado relembrando umas coisas minhas. Ah, desculpe pela falta de post, mas é fato que não sou tão competente quanto eu achava que fosse, a conseguir levar numa boa duas faculdades, um estágio, um blog, 2 famílias e meia e os amigos - fora os deveres de casa. Bom, voltando ao meu estado de nostalgia... adorei relembrar tudo...
Tenho uma caixa de cartas e bilhetes, coisas que recebo desde minha oitava série... e tudo dobradinho... Alguns recadinhos têm cheiro, alguns são escritos em folhas chiques, enquanto outros são escritos com caneta tinteiro - para dar um ar de antigo. Tenho tudo de todos, inclusive as minhas mesmas. Sim, sim, tenho também as cartas que mandei. Claro que não tenho todas, mas as que considerei mais importantes no envio, resolvi guardar o rascunho.
A primeira conclusão que tirei quando peguei a minha caixa, foi de que ela estava bem pesada... Quando eu abri e comecei a ver tudo o que tinha, notei que a quantdade de cartas enviadas era ligeiramente maior do que as recebidas, mas mesmo assim, meu ânimo não foi para o espaço. Quando comecei a ler algumas coisas que eu havia escrito, vi que eram mais do que palavras... Eram meus sentimentos!!! Coisas que eu sentia e jamais havia colocado para fora... Percebi que tenho essa mania até hoje: prefiro não explodir com a pessoa e sim, compartilhar com a caneta...
E as cartas que recebi eram lindas... quer dizer, são lindas... Acho que naquele momento, só joguei uma fora... era a típica coisa de que não queria me lembrar... O resto... percebi que podia me transportar para o momento em que lia a carta pela primeira vez... Assim como consegui sentir o que eu havia escrito.
Resolvi postar alguns textos aqui... obviamente, a maioria minha, claro. Não vou ficar expondo o sentimento de quem um dia veio a gostar de mim de uma maneira diferente... Então, se você por acaso me escreveu algo um dia... não se preocupe... pois eu provavelmente não postarei aqui. Disse provavelmente - pois vontade não vai faltar em alguns casos.
Postarei abaixo um de meus textos, feitos no ano 2000. Estava na oitava série, aprendendo a desencanar e tal... e acho que no fim das contas não devo ter progredido muito.

"Sabe que às vezes tenho um ciúme incrível dela? Não sei... eu fico feliz por ela ter você, mas ao mesmo tempo fico triste por ela ter você. Às vezes passa na minha cabeça que ela pode não fazer idéia do que tem, e que só vai saber quando perder - se perder. Mas você se doa tanto a ela, que é possível que isso não aconteça. Você é mesmo um sonho de pessoa e muitas pessoas gostariam de estar no lugar dela. Demorei a perceber, mas acho que eu posso ser uma dessas pessoas em determinados momentos. Eu sou feliz e tudo o mais, mas algumas atitudes suas iluminam muito a vida... e acho que isso é que deveria ser valorizado e é isso que eu espero que ela valorize.
Já fui bastante mesquinha um dia em invejar, mas isso já passou - ainda bem. Faz um mal danado: para mim e para a pessoa que invejo. E fico eu, aqui, esperando te ver, e com borboletas no estômago, pernas bambas, ansiedade, como se fosse um primeiro encontro... coisa de menina boba.
Mas eu volto à realidade, volto à sanidade... sei que não devo desejar o mal e pronto, não desejo. Sei que devo deixar as pessoas serem felizes com o que elas escolheram para si, e acabo respeitando isso, pois faz parte de mim... acredito que haja uma força oculta que ajuda as pessoas nesse tipo de escolha (com quem devem querer construir uma toda vida - ou parte dela) e que se mesmo não parecer terem feito a escolha certa, estão ali com algum propósito... alguma coisa vai ser feia naquela vida e eu não tenho o direito de interromper.
Acho que quando eu crio expectativas quanto a nossa amizade, estou dando um passo muito maior do que eu poderia dar - mas isso fica sempre em segredo. Mas corre uma adrenalina em mim, coisas diferentes e eu acabo dando outro passo. Não sei mesmo onde tudo vai parar. Na verdade, eu deveria parar, mas... já te disse que tenho ciúme?"

Beijos