sábado, 6 de outubro de 2007

Nostalgia - pt. 1

Pessoas... passei o fim de semana passado relembrando umas coisas minhas. Ah, desculpe pela falta de post, mas é fato que não sou tão competente quanto eu achava que fosse, a conseguir levar numa boa duas faculdades, um estágio, um blog, 2 famílias e meia e os amigos - fora os deveres de casa. Bom, voltando ao meu estado de nostalgia... adorei relembrar tudo...
Tenho uma caixa de cartas e bilhetes, coisas que recebo desde minha oitava série... e tudo dobradinho... Alguns recadinhos têm cheiro, alguns são escritos em folhas chiques, enquanto outros são escritos com caneta tinteiro - para dar um ar de antigo. Tenho tudo de todos, inclusive as minhas mesmas. Sim, sim, tenho também as cartas que mandei. Claro que não tenho todas, mas as que considerei mais importantes no envio, resolvi guardar o rascunho.
A primeira conclusão que tirei quando peguei a minha caixa, foi de que ela estava bem pesada... Quando eu abri e comecei a ver tudo o que tinha, notei que a quantdade de cartas enviadas era ligeiramente maior do que as recebidas, mas mesmo assim, meu ânimo não foi para o espaço. Quando comecei a ler algumas coisas que eu havia escrito, vi que eram mais do que palavras... Eram meus sentimentos!!! Coisas que eu sentia e jamais havia colocado para fora... Percebi que tenho essa mania até hoje: prefiro não explodir com a pessoa e sim, compartilhar com a caneta...
E as cartas que recebi eram lindas... quer dizer, são lindas... Acho que naquele momento, só joguei uma fora... era a típica coisa de que não queria me lembrar... O resto... percebi que podia me transportar para o momento em que lia a carta pela primeira vez... Assim como consegui sentir o que eu havia escrito.
Resolvi postar alguns textos aqui... obviamente, a maioria minha, claro. Não vou ficar expondo o sentimento de quem um dia veio a gostar de mim de uma maneira diferente... Então, se você por acaso me escreveu algo um dia... não se preocupe... pois eu provavelmente não postarei aqui. Disse provavelmente - pois vontade não vai faltar em alguns casos.
Postarei abaixo um de meus textos, feitos no ano 2000. Estava na oitava série, aprendendo a desencanar e tal... e acho que no fim das contas não devo ter progredido muito.

"Sabe que às vezes tenho um ciúme incrível dela? Não sei... eu fico feliz por ela ter você, mas ao mesmo tempo fico triste por ela ter você. Às vezes passa na minha cabeça que ela pode não fazer idéia do que tem, e que só vai saber quando perder - se perder. Mas você se doa tanto a ela, que é possível que isso não aconteça. Você é mesmo um sonho de pessoa e muitas pessoas gostariam de estar no lugar dela. Demorei a perceber, mas acho que eu posso ser uma dessas pessoas em determinados momentos. Eu sou feliz e tudo o mais, mas algumas atitudes suas iluminam muito a vida... e acho que isso é que deveria ser valorizado e é isso que eu espero que ela valorize.
Já fui bastante mesquinha um dia em invejar, mas isso já passou - ainda bem. Faz um mal danado: para mim e para a pessoa que invejo. E fico eu, aqui, esperando te ver, e com borboletas no estômago, pernas bambas, ansiedade, como se fosse um primeiro encontro... coisa de menina boba.
Mas eu volto à realidade, volto à sanidade... sei que não devo desejar o mal e pronto, não desejo. Sei que devo deixar as pessoas serem felizes com o que elas escolheram para si, e acabo respeitando isso, pois faz parte de mim... acredito que haja uma força oculta que ajuda as pessoas nesse tipo de escolha (com quem devem querer construir uma toda vida - ou parte dela) e que se mesmo não parecer terem feito a escolha certa, estão ali com algum propósito... alguma coisa vai ser feia naquela vida e eu não tenho o direito de interromper.
Acho que quando eu crio expectativas quanto a nossa amizade, estou dando um passo muito maior do que eu poderia dar - mas isso fica sempre em segredo. Mas corre uma adrenalina em mim, coisas diferentes e eu acabo dando outro passo. Não sei mesmo onde tudo vai parar. Na verdade, eu deveria parar, mas... já te disse que tenho ciúme?"

Beijos

2 comentários:

Anônimo disse...

Quem não tem uma caixa de pápéis guardados que atire a primeira pedra. É sempre bom rever o que pensavam de vc e (sobretudo) o que vc pensava sobre vc mesmo, acompanhar de perto a sua evolução, os erros e acertos de suas próprias escolhas, os riscos corridos, os obstáculos transpostos, as questões existenciais eternas e infintamente inconclusas e aquelas que mudaram de forma; os dias de fúria, a tristeza funda (quem nunca se achou um lixo?) de alguns momentos e a pujança da conquista. Tudo isso misturado a recados bobos escritos na última folha do caderno, despretensiosamente sem valor, ao papel da bala daquele dia, ao ingresso de cinema. É bom, é sempre bom. Mas dói. Dói porque, por mais que seja belo, é passado; e passado, por definição, sempre dói. O passado carrega sempre aquela aura da decisão tomada antes da bifurcação; carrega sempre a frustração potencial de não ter escolhido os outros caminhos. Não há meio de saber a eficácia e a beleza do caminho que se trilha. Quanto mais longínquo o passado, maior a dor. Aquela saudade de quando não se era nada, não se tinha a obrigação de ser nada. E aí, a gente cresce, vira adulto, trilha a vida, decide. E aqui voltam as caixas de memórias. Elas dão pistas de como as coisas poderiam ter sido se tivéssemos escolhido outros caminhos ante a encruzilhada. Se houvéssemos mantido as melhores amizades, se não tivéssemos ido à festa naquele dia, se tivéssemos escolhido outro bloco no Carnaval. É claro que a vida apronta das suas. Nada é estanque. Todos nós estamos sujeitos às suas intempéries e reviravoltas. Quando a gente escolhe um caminho na estrada, deixamos de escolher os outros. Mas as vias estão por aí, sempre confusas e desgovernadas. Pode ser que andem em paralelo, que nunca mais se encontrem. Pode ser ainda que finjam se encontrar a todo instante, andando em paralelo sem saber, como uma cadeia de ácidos desoxirribonucléicos. Ou pode ser que se encontrem daqui a muito tempo, numa curva imprevisível e doce a dez passos do penhasco, evitando o acidente múltiplo, cada via cedendo um espaço de si para uma única via de mão dupla.

Ontem eu matei uma barata que continha um gene que salvaria a humanidade daqui a quarenta e nove milênios. Mas quem haveria de saber?

Bjos!

Pat disse...

Fato: vc escreve fodamente bem.

Tipo, eu tenho uma caixa igualzinha no meu armario, mas a diferença é que eu nao abro.Sei lá, acho que prefiro mante-la intacta, cheia de lembranças daquela epoca de CPII que vc conhece mto bem.Saca caixa de Pandora?Sinto que se eu mexer nela, toda a magia se vai e um dia chorei baldes ao ler uma carta de despedida...a despedida da pessoa que foi mais importante na minha vida.Hj eu nem sinto tanta falta dela, mas ja me doeu muito e ainda me doi um pouco.Essa pessoa foi "substituida"por tantos outros amigos que encontrei depois dela, mas nao é a mesma coisa.Mexer nessa carta foi mto dificil, e decidi guarda-la ali na caixa de novo.Lacrei-a e devolvi para o topo do armario.E lá está ela.

Lembranças sao deliciosas, até as ruins.Gosto de compartilha-las com alguem que esteja disposto a ouvi-las.E quem me ouve e me compreende é a minha caneta ou meus dedinhos no teclado do pc.Acontece o mesmo com vc e eu nao me sinto mais uma estranha conversando com os botoes do meu computador.Ufa!

Saudades absurdas!!!!

Bjus