sábado, 23 de fevereiro de 2008

A Lua me disse...

Estou sentada na varanda, num canto onde as pessoas provavelmente não vão me notar. É um lugar de quase isolamento, um lugar que uso para refletir, e onde sempre acaba se tornando um lugar para chorar. Mas não estou inteiramente sozinha. Além do papel e da caneta que conversam comigo, tenho vários expectadores. Estou a 13 andares do chão, e aparentemente estou acima de muitas coisas. Uma visão poluída de prédios, onde o vazio é sempre interrompido pelo barulho de um carro, o grito vindo do apartamento do lado e por um choro consideravelmente longe; mas mesmo com a visão poluída dos prédios, vislumbro o céu. A noite está perfeita. Aparentemente a lua soube da minha tristeza e se reuniu na minha frente, para saber como eu reagiria. Não obstante, chamou suas amigas fiéis: as estrelas. Muitas, não faço idéias de quantas, e prefiro não apontar para a platéia. Platéia que sinto que desapontei. Talvez esperassem que eu fosse lutar contra o sentimento, sorrir na cara dele e ser o meu melhor. Simplesmente não consegui. Me entreguei até a última célula. Por mais que pensem na pessoa firme e forte que sou, as pessoas só sabem pensar. E pensamentos trazem conclusões precipitadas. Sei muito sobre o assunto. Nunca vieram me ver de perto. Nunca vieram saber o que ou como realmente sou.
Sinto que estou sozinha, de duas maneiras. Queria que alguém confiasse em mim de verdade, que soubesse que no fim da linha poderia me encontrar com um sorriso enorme, de braços abertos, pronta para qualquer coisa. Queria que a nossa confiança não fosse do tipo abalável, que fosse indestrutível, única e eterna. Queria alguém que confiasse no que eu digo, que confiasse a partir de um olhar.
Ao mesmo tempo, gostaria muito que a recíproca fosse verdadeira. Quero alguém para confiar, alguém que eu possa encher de problemas e ao fim de toda a conversa, saber que minha preocupação, nas mãos dele, virariam soluções. Quero alguém que entenda quando eu ligar chorando, seja de tristeza ou alegria, e tente me reconfortar sempre. Que não ligue para minhas prováveis futilidades e que sorria para mim quando meus olhos se encherem d’água. Quero um amigo que eu possa realmente contar, que possamos nos dar as mãos e mergulhar juntos no vazio. Quero um confidente, que confie em mim para sermos a mesma coisa e com o pouco passar do tempo, um.
Tentei , ao longo do tempo, encontrar em mim mesma esse amigo maravilhoso, disposto a viver duas vidas: a minha e a dele. Reparei que apesar de ser eu mesma, acabo transformando tudo o que tenho em problemas. Raras são as vezes que consigo me solucionar.
Amigo, apesar do nosso encontro e do nosso desencontro e do nosso reencontro recente, sinto que é você a pessoa certa para tal coisa. Temos uma amizade consolidada, que eu acho que pode sempre mais. Sempre penso em contar o que quero simplesmente desabafar – ou chorar – mas sinto que não tenho esse direito. Não posso fazer de você uma pessoa que não sei se você deseja ser. Gostaria muito de saber sobre isso, se esse nível de confiabilidade pode mesmo existir.
Não sei porque, mas alguém disse que você poderia mudar a minha vida. Gostaria de acreditar nisso, e se possível contar com você nessa “coisa esquisita”. Digo esquisita porque amizade e confiança não são coisas “pedíveis”, são coisas que se conquistam. Mas o mais importante é que você entenda que não é algo unilateral, muito ao contrário: quero ter você como minha sombra, mas ao mesmo tempo quero ser a sua.

Sinto que já tive essa oportunidade, que se fragmentou no tempo. Mas hoje, numa noite de tristeza profunda, onde um problema provavelmente fútil me deixou sem chão, eu pensei na pessoa certa para conversar. Muitas passaram pela minha cabeça, mas era com você que eu queria falar. Mas não era simples. Achei que tinha de pedir licença para invadir a sua vida com a minha. Mais do que licença, devo perguntar se você quer. Saiba que seu passe livre comigo aguarda sua retirada.

Um comentário:

Zi, Sis. disse...

Eu confio em você inteiramente.